por Maria Helena Cardoso

11/09/2012

“Com prazer dou este depoimento, para falar de uma pessoa que admiro muito e que foi uma das maiores jogadoras de basquete do Brasil.

Que pena que o tempo passa.

Tive o privilégio de conviver com a Paula por mais de 10 anos. Tempo suficiente para conhecê-la e aprender a admirá-la.

Tenho orgulho de ter trabalhado com ela, que sempre foi um exemplo para todas as atletas. Sensível, sincera e íntegra, dentro e fora das quadras.

Os anos passaram, estamos agora distantes, mas sigo seus passos e vejo que, a cada dia, ela está ainda mais vencedora em tudo o que faz.

Parabéns, Paula! Continue sendo humilde, como sempre foi, e que Deus a abençoe e proteja.”

por Juarez Araújo

Editora Abril

01/01/1999

“No Campeonato Mundial de 1983, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, Paula ainda era uma menina rebelde, mas já sabia o que fazia em quadra.

Em uma partida contra a Bulgaria – e o Brasil ganhou por 81 x 78 – Paula faltou chover.

Estava trabalhando pela A Gazeta Esportiva e na ocasião do jogo, Heleno Lima, brasileiro e técnico da Seleção do Peru, assistia a partida do meu lado. Foi quando comentei que Paula jogava como Magic Johnson.

E imediatamente saiu o apelido Magic Paula que usei por quase 25 anos em todas minhas matérias.”

"Sexto sentido da bola"

por Armando Nogueira

Folha de S. Paulo

01/01/1984

“Primeiro, foi a Hortência, de tantas cestas perfumadas. Agora, é Paula, Maria Paula, das mãos adivinhas. É uma saudade a mais. Porém, saudade que não dói. Zero de melancolia. Hortência, ontem, Paula, agora, ambas encarnam um passado glorioso do esporte brasileiro. E assim seguirão, pelo tempo, futuro afora, canonizadas, idolatradas.

Não choraremos o adeus de Paula porque não é o fim de um caminho. É apenas o termo de um ciclo numa existência perpetuada na gratidão de todos nós. Viveremos, sempre, o passado indizível de Paula, numa quadra de basquete.

Paula, das mãos que inventam cintilações. Das mãos que adivinhavam os caprichos da bola. Das mãos que regiam o jogo como se o basquete fosse um balé. (Alguém dirá que não é?).

Paula, Maria Paula, musa de meus devaneios esportivos.

É hora de renovar um pergunta que tantas vezes te fiz sem que jamais tivesse resposta: afinal, de onde vem a aura que purifica os dedos de tuas mãos, quando lanças uma bola de três pontos?

Quem te concedeu a graça de enfeitiçar a bola?

E teus gestos, de que matéria luminosa vem tamanha majestade?
Obrigado, Paula, pelo dom com que fintavas a própria gravidade, alternando ritmos, criando e recriando espaços impressentidos, na árdua travessia de uma quadra.

Bailarina do jogo, a inventar irretocáveis coreografias no palco de infinitas fulgurações. Sexto sentido da bola que sobe, radiosa, pra culminar florescida, triunfal, na castidade de uma cesta.”